Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Chico Xavier: O Primeiro Livro — Autores diversos

Parte I — Dos amigos e contemporâneos

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O autógrafo ao lado…

(…) que se vejam os novedios – caminha-se no dilúculo, mas a voz da poesia é que conduz o mundo. Sigamos com os poetas, porque só eles vêm no futuro, porque só eles, com a bondade, podem refazer o que a guerra destruiu; porque só eles reconciliarão os homens restituindo o amor à vida, tornando a Terra, de polo a polo, o que sempre devera ser – o lar tranquilo e amorável da família humana, onde não haja ódio e todos os trabalhadores, unidos pelo mesmo ideal, concorram para melhorar a vida, de acordo com os ensinamentos de Jesus, herdados à humanidade nos Evangelhos, inscrevendo no programa a fé e o amor, segundo as palavras do cântico dos anjos espalhados na grande noite anunciadora da redenção: “Glória a Deus nas alturas, paz aos homens na Terra de boa vontade”. n




Ao deixar o Teatro Municipal, em São Paulo, ornado como para uma festa primaveril, com um velário de folhas verdes, recamado de rosas e de orquídeas, o palco em frondoso bosque – tendo ouvido a leitura da plataforma do Dr. Carlos de Campos, acudiram-me ao espírito as ideias acima enunciadas.

Em verdade, o que eu ouvira na augusta assembleia política, emoldurada por flores e senhoras, não fora senão um poema heroico e de concórdia: incentivo ao trabalho e apelo do coração à harmonia.

Carlos de Campos, artista de têmpera e político de estirpe, cuja vida exemplar, toda de dedicação ao seu Estado e à pátria, foi historiada em ponderosas palavras por um dos seus mestres, o erudito Dr. Dino Bueno, luminar dos demais brilho da Faculdade de Direito, leu ao numeroso auditório atento o seu compromisso selado com o seu coração. Os que ouviram essa peça, por todos os títulos notável, substanciosa na essência e límpida na forma, tiveram, como eu tive, a impressão de poesia, ou, o que vale mesmo, de revelação.

Nobre nas referências aos precursores, sem exageros falazes nas promessas, o futuro presidente do grandioso Estado, cuja terra é um celeiro que não se esvazia, antes aumenta à medida que dela tiram, graças ao milagre excelso do trabalho, cujo espírito, um ator triunfante, cada vez mais alto se levanta, não só nos descortinou de progresso para a fortuna, como em surtos de arte para a beleza, produziu obra nova em política, obra de ação e de sentimento. Ressuma vida, dá rebates enérgicos de força: é um escudo de combate, mas encostado a um (…) [Infelizmente perdeu-se o final do manuscrito psicografado, mas pelo trecho acima, bem se vê que não poderiam ter saído da cabeça de um jovem médium, à época quase iletrado]


.Coelho Netto



[1] O autógrafo ao lado é um trecho dum discurso pronunciado pelo eminente escritor Coelho Netto.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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